• Menina Jasmim

Drácula, Bram Stoker

Tradução: Maria Luísa Lago Bittencourt


Drácula é aquele livro que todos parecem conhecer a história antes mesmo de lê-la. Se você gosta de filmes de terror, Halloween, ou simplesmente existe, com certeza já viu ou ouviu alguma coisa sobre Drácula, um personagem que ultrapassou as páginas de sua obra e se tornou parte do imaginário popular. As lendas de vampiros já existiam muito antes da publicação do livro, mas foi Drácula que consolidou o que conhecemos hoje como “vampiro”.


Tudo começa quando Jonathan Harker é intimado a viajar para a Transilvânia a trabalho, a fim de fechar um contrato da venda de uma propriedade em Londres. Antes mesmo de chegar ao castelo de seu cliente, Conde Drácula, Jonathan começa a perceber que talvez aquele serviço não fosse o que imaginava. Por mais que tivesse sido alertado por moradores da região, Jonathan continua seu caminho para o castelo e, a princípio, tudo transcorre bem, só para então ele perceber que estava sendo feito de prisioneiro e que o Conde não era nada do que já vira na vida.


Já na Inglaterra, Mina Murrey está precisando lidar com os estranhos caso de sonambulismo de sua grande amiga Lucy. As coisas passam a fugir do controle quando Lucy começa a enfraquecer sem motivo, então um especialista em casos sobrenaturais, Van Helsing, é chamado para descobrir o que está acontecendo com a jovem. Com a morte de Lucy começa a perseguição a Drácula e nos encaminhamos para o fim da história.


Drácula é um romance bem fluido, principalmente por conta de seu formato, por ser composto por entradas de diários, cartas, telegramas e recortes de jornais, o livro consegue manter o dinamismo e prender o leitor! Mesmo não tendo um narrador fixo e ser bem fragmentado, a trama mantém a mesma tensão em suas partes e é muito bem construído nesse quesito. As personagens não são um grande exemplo de desenvolvimento, nem precisam ser, a maioria serve para sua função, sem muita profundidade, mas que funciona bem na obra. Mesmo assim, são interessantes de acompanhar e nos simpatizamos por elas (porém eu fiquei mais curiosa para saber como tudo se resolveria, mais do que acompanhar as personagens). Há aquele toque machista da época, um machismo cortês que vê mulheres como fracas e indefesas, mas então temos Mina, que é a melhor personagem do livro e é vista como uma mulher que pensa como homem para seus colegas (ai ai).



Agora o que falar sobre a criatura que deu nome à obra? Conhecemos pouco sobre o Conde Drácula no decorrer da história, tudo o que intensifica o ar de mistério sobre sua figura. Ele é uma incógnita, um monstro que traz consigo um tom sexual bem forte, com seus inúmeros anos de vida, mas que conhece pouco sobre a vida “civilizada” inglesa. Há uma forte aversão ao estrangeiro na obra, além de uma série de estereótipos do povo romeno, Drácula é o resumo disso, do medo do desconhecido, da forma como "o outro" eram vistos pela grande nação Inglesa.


Não é um livro assustador, mesmo tendo uns momentos desconfortáveis. Não consegui sentir medo, para falar a verdade, eu senti foi muita pena de Drácula, porque mesmo ele sendo tão velho e uma criatura como é, muitas vezes parecia uma criança (no sentido de não raciocinar o que estava fazendo mesmo), e pode ser que eu tenha lido errado ou tenha deixado escapar alguma coisa, mas no fim, eu estava torcendo mais para o vampirão conseguir escapar!


Foi uma leitura bem agradável e adorei conhecer a verdadeira história sobre esse personagem tão icônico. É um livro que merece ser lido, mesmo com suas falhas, dá para ver como se tornou tão importante e ultrapassou seu tempo.


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