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Algo sobre voltar a escrever e depressão

18 de abril de 2024. Quase dois anos que não posto nada aqui, por mais que tenha falado e refalado para minha pessoa que não devia ficar parada por tanto tempo. Nem sempre conseguimos fazer o que queremos, ainda mais quando nossa vida muda de tal maneira e sua cabeça, que nunca está preparada, se desprepara ainda mais para seguir com a normalidade. Assim é aprender o que é seu novo normal, mudar as coisas do seu dia, reaprender a ser você mesmo entre as poucas horas livres que você tem durante o dia. (Estou sendo dramática, mas mudei de emprego para um que está me sugando até a última unidade da minha alma e me deixa tão ansiosa que não consigo pensar em mais nada além de não surtar.)


Neste tempo, pouco escrevi também. E tudo isso me fez voltar a ficar depressiva. Não como se eu tivesse deixado de ser, mas a depressão e eu estávamos andando de mãos dadas cada uma fazendo suas coisas e sobrevivendo bem juntas, até minha rotina mudar. Agora não há mais nada que me deixe realmente alegre e meus dias só parecem uma repetição de chatices e chatices e chatices. Só mais um dia normal na vida do proletário, não é mesmo?


Enfim, enfim, enfim.


Estou lendo "Como criar histórias: um guia prático para escritores" da Ursula K. Le Guin e me obrigando a fazer os exercícios, dando o melhor que posso dar na minha situação.

O primeiro exercício saiu algo como:


Parte 1 - Maria estava jogada sobre o sofá, mascando o chiclete de forma desleixada que era o suficiente para tirar todos da casa do sério. Mas não havia ninguém em casa. Por isso tanto silêncio. Apenas o chilept chilept chilept da goma entre seus dentes. Quando estava sozinha, podia fazer o que bem queria. Não gostava da constante chatice da voz estridente dos olhos esbugalhados das mãos na cintura. Gostava da calma do silêncio. A liberdade da casa vazia. O seu universo longe de qualquer culpa e regras. Pelo menos até os outros voltarem. Era só ela ali. Ela e seu chilept. Ela e sua postura descuidada.


Parte 2 - Ele havia ficado parado lá, uma estátua vestida de negro entre tantas outras pessoas que se curvavam em seus prantos. Não se moveu, não chorou. Estava em pé bem na frente da cova, vendo a caixa de madeira sendo abaixada. Vendo as flores sendo jogadas. Vendo a terra cobrir e dar um ponto final definitivo. As pessoas ao seu redor se despediram ainda entre lágrimas e seguiram para seus afazeres. Ele voltou sozinho para casa, o silêncio pendendo em seus lábios e peito. Lavou-se por minutos que duraram como horas. Colocou-se embaixo das cobertas e dormiu até ser acordado pelo raio de sol que atingiu seu rosto na manhã seguinte.Esticou o braço, alongando e despertando o corpo. Respirou fundo e sentiu que seu corpo estava tentando avisá-lo de algo que sua mente havia esquecido. Olhou para seu lado da cama e viu o travesseiro vazio.Ele ficaria assim para sempre.Ela nunca mais voltaria.Seu peito afundou. Um buraco imenso que ele havia fingido não existir. No vazio daquele quarto, no silêncio de sua cama, o buraco gritava para ser notado. Ele não queria. Queria esconder seus sentimentos, encher a cabeça de qualquer coisa, arrumar o que fazer. Tudo para calar o que estava sentindo.


Ainda estou começando e ficar tanto tempo parada sem trabalhar em minha arte me deixou enferrujada. (Não que eu tenha produzido zero textos nesse tempo - escrevi alguns contos para o SDP e coisas aleatórias, mas fique muito tempo sem realmente trabalhar nas coisas que escrevia, apenas escrevendo sem pensar muito. Agora estou reaguçando meu olhar e tentando melhorar o que escrevo) São os melhores trechos da vida? Longe de serem, mas são alguma coisa.


Também estou voltando a trabalhar em SG, uma edição que se arrastou mais tempo do que eu gostaria. Demorou tanto que agora estou lendo o que escrevi e pensando em reescrever para adaptar a narração/descrição mais ao meu estilo atual. Provavelmente é o que farei.


Não há muito mais o que falar. Talvez semana que vem eu volte aqui com outro exercício do livro ou outra lamentação. Não sei. Veremos.



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Por Menina Jasmim

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